Os comentários do líder do Supremo Tribunal Federal são feitos em uma onda de agressões verbais ao tribunal do presidente Jair Bolsonaro.

O presidente do Supremo Tribunal Federal disse que era um ato antidemocrático encorajar as pessoas a desobedecer à decisão do tribunal um dia depois que o presidente Jair Bolsonaro disse que não seguiria as decisões dos membros do tribunal.

“A Suprema Corte não tolera a ameaça à autoridade dessa decisão”, disse Luis Fuchs em uma sessão judicial na quarta-feira.

Fux também disse que encorajar as pessoas a ignorar a decisão do tribunal pelo “chefe de estado” era um ataque à democracia e um crime que o Congresso trataria.

Seus comentários foram feitos um dia depois que Bolsonaro continuou seu ataque verbal ao Supremo Tribunal Federal em discursos a centenas de milhares de apoiadores reunidos na capital Brasília, São Paulo e outras cidades.

O Supremo Tribunal Federal exige que a alegação do líder da extrema direita de que o sistema de votação eletrônica do Brasil seja fraudulento (a alegação rejeitada pelos peritos judiciais como infundada) e um recibo de papel seja impresso.

Os críticos acusaram o ex-capitão do Exército de planejar desafiar o resultado da eleição presidencial do próximo ano de forma semelhante ao ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, que há muito tenta imitar Bolsonaro.

De acordo com uma pesquisa recente, Bolsonaro, cuja popularidade despencou na esteira da crise do COVID-19 e das denúncias de corrupção, votou no ex-líder esquerdista Luiz Inácio Lula da Silva se Lula escolheu as eleições presidenciais.

O ataque em curso à Suprema Corte de Bolsonaro estimulou o que os especialistas chamam de crise institucional “sem precedentes” no país.

O presidente da Câmara do Brasil, aliado de Bolsonaro, exortou o país a se concentrar em questões mais urgentes, como o coronavírus e o alto desemprego após a manifestação de apoiadores de Bolsonaro na quarta-feira.

Arthur Lira não mencionou o nome de Bolsonaro, mas disse que o debate na cédula de papel era um assunto privado. A Câmara dos Representantes votou contra os esforços de Bolsonaro para mudar o sistema de votação no mês passado.

Sem mudanças, Bolsonaro ameaçou não reconhecer o resultado da votação do próximo ano.

Mas Lira disse que não violaria a Constituição brasileira e rejeitaria os principais apoiadores do presidente de propor o fechamento do Supremo Tribunal Federal e outras medidas antidemocráticas.

“Não sei como deixar espaço para radicalismo e excessos. A Câmara dos Deputados está comprometida com o verdadeiro Brasil sofrendo pandemias e desemprego”, disse ele em entrevista coletiva.

Lira disse que é “inaceitável” questionar as decisões já tomadas pela Câmara de Comércio e pediu ao Brasil que se concentrasse em questões “reais”, como o aumento do preço da gasolina e outras questões econômicas.

Analistas disseram que Bolsonaro pode ter ganhado popularidade temporariamente após a manifestação de terça-feira, mas esperava rejuvenescer seus partidários mais fervorosos, mas melhorou as chances de reeleição no ano que vem.

“No final das contas, o que importa é a realidade”, disse Naue de Azevedo, cientista político radicado na capital brasileira, à Al Jazeera. “E a realidade de hoje é de crescimento populacional com inflação, alta de alimentos e combustível, crises de energia e pobreza e vulnerabilidades sociais”.

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